A Catedral Metropolitana de Campinas não é aporofóbica

Por Sandra | publicado em | Arquidiocese

Há mais de dois meses estou como  Cura à frente da Catedral Metropolitana de Campinas. É um trabalho complexo, exigente e sacrificante mas, ao mesmo tempo, gratificante e apaixonante. A cada dia tenho que resolver um assunto diferente: cultura, arte, restauro, administração, pastoral, jurídico, liturgia, missão, assistência aos necessitados, diplomacia, presbitério, política, etc.

Na segunda-feira de manha, fui surpreendido por “fogo amigo”: uma postagem que, sem ter a intenção, suscitou ódio contra a Catedral. Trata-se de uma foto de uma das escadas da Igreja na Rua Costa Aguiar com “espetos de ferro”, acompanhada da palavra: “aporofobia”, isto é, rejeição ao pobre. Mal me lembrava destes espetos de ferro que foram colocados, bem antes que eu nascesse, com o propósito de inutilizar a escada e evitar que as pessoas fizessem suas necessidades fisiológica por entre as frestas da grade, indo diretamente para dentro da igreja.

Contudo, como seu administrador, tenho a certeza de que a Catedral pode ter defeitos, mas ela não é aporofóbica: nunca na sua história ela rejeitou pobre algum que a procurasse. Digo isso com o conhecimento histórico de quatro ações que nasceram da Catedral e que continuam até hoje.

Em 1892, nasceu a primeira Conferência Vicentina da Catedral, chamada Nossa Senhora da Conceição. E como os trabalhos juntos às famílias necessitadas só aumentavam ao longo do ano, surgiram as Conferências São Luiz Gonzaga e São Maximiliano Kolbe. Até hoje, estas três conferências, movimentos católicos leigos, vêm se dedicando à realização de iniciativas destinadas a aliviar o sofrimento das pessoas do centro da cidade e assistindo-as em suas necessidades.

Em 1907, a Catedral institui, com seu apoio financeiro, a Associação Pão dos Pobres de Santo Antônio, na Rua Regente Feijó, que tem por finalidade os serviços assistenciais, educacionais e culturais dirigidos às crianças de famílias empobrecidas do centro de Campinas.

No final da década de 80, participantes dos Grupos de Oração da Catedral se uniram para mudar a triste realidade de crianças e adolescentes em situação de risco da cidade de Campinas. Eles criaram a associação Casa de Maria de Nazaré que atem diariamente 800 crianças, em três unidades: Casa dos Anjos, Casa Betel e a Casa Hosana.

Em 2016, a comunidade da Catedral criou a Ação pastoral social-caritativa, “Levanta-te” tendo em vista as pessoas em situação de rua, os desempregados, os empobrecidos e os doentes psicológicos e espirituais que procuram a Igreja. São três plantões semanais, às terças, quintas e Sábados realizados dentro da Catedral.

Causa-me espanto que os usuários das redes sociais não se interessam em saber quantas pessoas a Catedral ajudou a tirar da situação de rua. Só querem polemizar sobre a retirada dos espetos de ferro da escada da Igreja que nunca foram alvo de reclamação. Para quem tirou centenas de milhares de pessoas das ruas de Campinas nos últimos 100 anos, tirar alguns “espetos de ferro” da escada levará apenas alguns minutos. Mas depois de muita polêmica e de tanto ódio gratuito contra a Catedral, haverá quem continue a ajudá-la a tirar as pessoas da rua? Haverá quem a ame e a ajude a abraçar o irmão pobre?

Padre Caio Augusto de Andrade

Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição

Catedral Metropolitana de Campinas.


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