Ficha 137 – Não deixemos que nos roubem a alegria de evangelizar (8)

Por Setor Imprensa - Comunicação publicado em Fichas de Estudo

Dando continuidade a reflexão sobre o Documento 107:“Iniciação à vida cristã: Itinerário para formar discípulos missionários”, esta Ficha aborda a   necessária espiritualidade trinitária, cristocêntrica e missionária que as comunidades e os agentes de pastoral devem ter para não se desviarem da missão dada por Jesus Cristo. Ela evoca a Exortação Apostólica Evangelli Gaudium (EG) e aprofunda o segundo, dentre os sete cuidados citados da ação evangelizadora (EG 80 -109) [1]. Nela, se enfatiza que a “alegria da Evangelização” deve ser a identidade dos cristãos neste mundo de contradições e destaca que somente atrai novos discípulos, aqueles que são convictos de sua fé e da alegria, que vem de Cristo.

O Vaticano II propôs a renovação da Igreja e a CNBB, através do Documento 105: “Cristãos leigos e Leigas na Igreja e na sociedade”, seguindo os passos da EG, insistiu na urgente mudança de mentalidade e das estruturas eclesiais. Este documento enumerou as tentações que fazem a Igreja se desviar de sua missão, que bem podem ser resumidas nas atitudes individualistas que não respeitam e nem promovem a vida em comunidades; nas relações de poder que são produzidas e reproduzidas pelo clero, religiosos e leigos, e na burocratização dos serviços pastorais como se a Igreja fosse uma repartição pública (D. 105, 84-90). “O imediatismo pastoral, o pragmatismo cinzento da vida quotidiana da Igreja, “transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem constantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do coração como o mais precioso elixir do demônio” (EG 83).

Na EG, o papa insiste que os cristãos devem seguir o Cristo e não os poderes do mundo.  São eles que devem fermentá-lo, não o contrário. Como reflexão para esta Ficha recorremos ao texto do Evangelho de Marcos 10,35-45, que narra o pedido que Tiago e João fizeram a Jesus. Encantados pela proximidade com o Mestre e com o Seu poder que atraia multidões, eles pedem lugares de destaque no Seu reino, e Jesus lhes respondeu que tais lugares cabiam aos escolhidos de Deus. Atitude mais grave tiveram os outros discípulos que, no afã de se mostrarem fiéis a Jesus, repreenderam os dois. E de Jesus estes ouviram: “vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo: e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos’”.

Estes dois tipos de comportamento são muito recorrentes nas comunidades. É comum que as pessoas que se achegam à Igreja, ainda pensem segundo a lógica do mundo. Cabe à comunidade ajudá-las a perceber que o chamado de Jesus pede outro comportamento dos discípulos. A questão é que muitos agentes de pastoral também pensam assim. Muitos assumem funções de zelosos das coisas da Igreja, mas não praticam as atitudes que Jesus ensinou: a acolhida, a misericórdia e o perdão. O papa destaca que tal comportamento reflete uma concepção de Igreja de iluminados, de donos da verdade, que mais afastam do que atraem novos os discípulos.

A alegria do Evangelho enche o coração e transforma a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus (EG 1) e nisto se constitui a missão! Por isso, a alegria do discípulo não é um sentimento de bem estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé; é um antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e o ódio (Documento de Aparecida, 29,360). Se nos roubarem essa alegria, nos roubarão o mestre Jesus Cristo, e nos sentiremos desamparados. O Papa recorda que é preciso recuperar o frescor original do Evangelho, para que o nosso tempo possa receber a Boa-Nova de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram eles os que primeiro receberam a alegria de Cristo (EG 10-11).

Eis a razão do cuidado que o Papa sugere aos cristãos de “não se deixar roubar” daquilo que de mais precioso a Igreja recebeu de Cristo!: “o desafio de descobrir e transmitir a ‘mística’ de viver juntos, misturar-se, encontrar-se, dar o braço, apoiar-se, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada”. Isto significa dizer sim às novas relações geradas por Jesus Cristo (EG 87). Por tudo isto, o papa dirige a cada um o apelo: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!

Nota

[1] Os sete “cuidados” apontadas pela EG 80-109 são: não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário! (80); Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização (83); Não deixemos que nos roubem a esperança (86); Não deixemos que nos roubem a comunidade (92); Não deixemos que nos roubem o Evangelho (97); Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno (101), não deixemos que nos roubem e a força missionária (109).

 
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Para Refletir

  1. Quais sinais se pode destacar para se conhecer um discípulo de Cristo, hoje?
  2. Qual deve ser o espírito da nova evangelização?

 

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Aguarde a próxima publicação: 22 de novembro de 2017: Ficha 138 – Uma Igreja misericordiosa  (9)

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