Ficha 138 – Uma Igreja Misericordiosa (9)

Por Setor Imprensa - Comunicação publicado em Fichas de Estudo

Na continuidade do estudo sobre o Documento 107 da CNBB, “Iniciação à vida cristã: Itinerário para formar discípulos missionários”, esta Ficha tem a misericórdia como foco principal da ação missionária. Os textos que a norteiam são: a parábola do Evangelho de S. Lucas (15, 11-32), a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG), a Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário: Misericodiae Vultus (MV) e na Carta Apostólica Misericordia et misera (Mm), que o encerrou o Jubileu da Misericórdia em 2016.

Na Evangelii Gaudium, o Papa declara que a Igreja precisa ser capaz de curar feridas e acalentar corações, assumindo o anúncio jubiloso do perdão, do regresso ao essencial. A ação missionária da Igreja deve estar envolvida pela ternura, cordialidade, acolhimento materno, pelo abraço paterno, pela solidariedade cristã, saindo à frente, mantendo-se no meio de todos com sua proximidade misericordiosa, atuando na defesa dos pobres e oprimidos, marcados pela indiferença e desigualdade.

Somente o anúncio missionário, passando de pessoa a pessoa, de casa em casa, de comunidade a comunidade como “estado permanente”, fará a misericórdia se manifestar e frutificar em gestos concretos. A prática das Obras de Misericórdia temporais e espirituais frutifica no trabalho com os irmãos, na procura de fazer-se próximo, conceder-lhes tempo, escutá-los com interesse, acompanhar os momentos difíceis e compartilhar os momentos de vida e transformação que se fizerem necessários. É o amor que permite reconhecer as necessidades dos outros, como irmãos que sofrem e estão em dificuldades.

No ano de 2015, o Papa Francisco proclamou o Jubileu Extraordinário da Misericórdia e na Bula Misericodiae Vultus mostrou a pequenez humana diante do perdão de Deus, salientando que na vida prática de paróquias, comunidades, associações e movimentos, “qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia”, pois “onde a Igreja estiver presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai” (MV, 12. 13).

Na Carta Apostólica Misericordia et misera, o Papa se refere à cultura da misericórdia e aponta que, além de atitudes pessoais como a redescoberta do encontro com os outros, a prática da piedade e da compaixão, a Igreja deve assumir a responsabilidade de uma conversão pastoral e defende a reforma das estruturas eclesiais, para que se torne mais missionária, comunicativa e aberta às realidades das famílias e da vida das pessoas, sendo expressão viva da misericórdia divina.

A parábola do Pai misericordioso apresenta a natureza de Deus como um Pai compassivo, amoroso e misericordioso (Lc 15, 11-32). Ela narra a história do filho mais novo que abandona o lar e, depois de dissipar os seus bens e se encontrar na miséria, se arrepende, resolve voltar e pedir perdão ao pai. Ao voltar para casa, o pai, quando o avistou, “teve compaixão” , tomou a iniciativa e saiu ao seu encontro, recebeu-o com carinho, o abraçou e o beijou com ternura. O pai depara-se então com o outro filho, aquele que não saíra de casa, mas vivia sem alegria e entusiasmo. Manifestando ciúmes, ressentimentos e julgamentos sobre o irmão, reivindica igualdade de direitos. A misericórdia do pai se estende também a ele  revelando outra realidade: tudo entre eles era comum, não havia diferenças. “Era preciso festejar e se alegrar, porque este seu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado” (Lc 15,32).

Este texto nos ajuda a refletir que a Iniciação à Vida Cristã não está apenas no estudo da doutrina cristã e na observância dos mandamentos da lei de Deus e da Igreja, mas na vivência das práticas evangélicas que o mundo despreza. Ela começa na acolhida aos irmãos, nos gestos de perdão e de misericórdia das fragilidades humanas, presentes na vida de todas as pessoas. Na Carta apostólica Misericordia et misera, o Papa recorda o ensinamento de Santo Agostinho, sobre o encontro de Jesus com os pecadores, o encontro da Misericórdia e da miséria daquele que se afastou de Deus. Todavia, nas comunidades cristãs, muitos se comportam como o irmão mais velho da parábola. Estão sempre na casa do Pai, sabem do Reino de Deus, mas não são capazes de perdoar, acolher, e se alegrar pela volta dos irmãos.

O Papa Francisco ensina que “Tudo se revela na misericórdia. A misericórdia é esta ação concreta do amor de Deus que, perdoando, transforma e muda a vida das pessoas. É assim que se manifesta o seu mistério” (Mm, 2).

Que o cântico de Maria, “sua misericórdia se estende de geração em geração” (Lc 1, 50), seja a força para a conversão missionária, alcance a todos e não conheça limites.
 
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Para Refletir

  1. Na perspectiva evangélica, qual a importância da misericórdia na missão da Igreja?
  2. Que gestos concretos de misericórdia podem ser propostos em uma ação missionária?

 

Orientações para a Interação:

a) Você poderá discutir este texto, presencialmente, com seus amigos na comunidade.

b) Você poderá enviar sua opinião usando a caixa de comentários abaixo.

c) Por fim, você poderá interagir no “Ambiente Virtual de Formação” da Arquidiocese. Acesse http://www.avf.org.br/ e siga as orientações.

Aguarde a próxima publicação: 06 de dezembro de 2017: Ficha 139 –   A missão: Uma Igreja em saída (10)

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