Ficha 139 – A missão, uma Igreja em saída (10)

Por Setor Imprensa - Comunicação publicado em Fichas de Estudo

Nesta última Ficha sobre o Documento 107 “Iniciação à vida cristã: Itinerário para formar discípulos missionários”, será destacado a relação entre “missão” e “saída”. O magistério eclesial desenvolvido a partir do Vaticano II, e especialmente pelos Papas Paulo VI e João Paulo II, trouxe muitas luzes para interpretar a missão, mas é inegável que a forma como o papa atual vive seu ministério tem contribuído para a compreensão da missão segundo a proposta da Iniciação à Vida Cristã.  Ele não só ensina, como é próprio da sua função, mas o faz aproveitando todos os momentos de sua vida para ser fazer missionário.

A Exortação Evangelii Gaudium (EG) insiste na importância de uma “Igreja em saída”: que deixe de ser uma instituição voltada para si e seja aberta ao diálogo; que se afaste do poder autoridade, para ser uma Igreja povo de Deus, cujos pastores tenham o cheiro das ovelhas, e que sejam praticantes da misericórdia e do perdão; que busque construir a comunhão e a participação; que seja comprometida com a justiça social e com a ecologia e com a casa comum. Segundo o Papa Francisco, cumprir missão não é ficar alimentando uma Igreja presa num emaranhado de atividades que ela mesma criou, pois a sua missão está no mundo e, para isso, os cristãos precisam sair e se misturar ao povo. Ele diz: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49).

Para compreender a missão, recorramos ao texto bíblico de Mc 6, 31-43. O texto relata a existência de um grupo que sabia de Jesus e que o buscava incessantemente. Ele, para descansar, retirou-se com seus discípulos para outro lugar, mas as pessoas sabendo disso, foram atrás. Jesus não as rejeitou e as acolheu com carinho. Como estavam em uma região deserta e porque a hora avançava, os discípulos sugeriram que Jesus as despedisse, para que cada um desse jeito de se alojar e comer alguma coisa; porém, Ele os reprovou, ensinando-lhes que era missão deles dar de comer ao povo. Quando disseram que não havia o que lhes dar, Jesus lhes pediu o que tinham e lhe foi dado cinco pães e dois peixes. Jesus os abençoou e ordenou que seus discípulos os distribuíssem ao povo. Todos comeram e ficaram saciados.

Com este ensinamento, Jesus pedia aos discípulos que se abrissem a força transformadora da solidariedade, da partilha e da comunhão, despertando neles uma nova mentalidade comunitária, sinal de uma nova sociedade.

Ainda hoje o povo com fome,  procura Jesus. A forma como nossas comunidades estão organizadas nem sempre permite que as pessoas, que dela participam, percebam os apelos de Deus que brotam da realidade sofrida do povo. Vivemos em uma Igreja muito fechada em seus muito afazeres, que com relativa facilidade dispensa o povo para que cada um volte para casa sem levar o que viera buscar.

O mandato de Jesus deve ecoar no coração da Igreja : “Dai-lhe vós mesmos de comer”. Ser missionário não é fazer o que queremos, mas fazer o que é preciso que seja feito. Mas, como fazer, se também nós só temos: “pães e peixes”? Como os apóstolos, apresentemos nossos dons para Jesus, para que ele os abencõe, a fim de que também nós possamos distribuí-los aos pobres. Por isso, a EG destaca cinco sinais de uma comunidade missionária “em saída”: que ela seja capaz de: antecipar-se; envolver-se; acompanhar; frutificar e festejar. (EG, 24). Todas estas características idealizadas pelo Papa demonstram uma atitude de constante saída, que busca transformar os costumes, os estilos, os horários, a linguagem, e toda a estrutura eclesial (EG 27).

A exemplo de Jesus, a Igreja  deve colocar  os pobres no centro de sua ação e se empenhar para promover o desenvolvimento integral deles (EG 188). No encerramento do Jubileu, o Papa propôs que no dia 19 de novembro deste ano, 2017, acontecesse o primeiro dia Mundial dos pobres. Como importante sinal, ele mobilizou a Igreja de Roma e ofereceu um almoço para mais de mil e quinhentas pessoas. Não foi o papa que preparou aquela refeição, que a distribuiu; ele envolveu pessoas para isso. No dia marcado, ele esteve presente e almoçou com as pessoas, conversou com elas e as abençoou. Com este gesto,Ficha 139 A missão, uma Igreja em saída (10) o Papa praticou o que tem ensinado. A Igreja deve acolher aqueles que o sistema despreza. Será que ao invés de reuniões, encontros, assembleias não devemos também nós sair de nossas igrejas e ir ao encontro de pessoas assim?

Se Deus deu a missão, ele também dará os “pães e peixes” necessários para que os discípulos missionários possam realizá-la. Com confiança,deixemos a segurança de nossas pastorais e saíamos ao encontros dos que procuram Jesus Cristo.

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Para Refletir

  1. Qual seria a mais importante missão da Igreja nesse momento em que vivemos?
  2. Por que a figura do papa Francisco toca tanto o coração das pessoas? É possível dizer que a Igreja está mudando?

 

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