Homenagem de Cônego Cláudio para Dom Airton, por ocasião de seu aniversário episcopal

A Arquidiocese de Campinas celebrou o aniversário de 15 anos de Ordenação Episcopal do Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos, no dia 02 de março.

O Cônego Cláudio Zaccaria Menegazzi, Assessor da Comissão das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), fez um discurso em homenagem à Dom Airton, que pode ser visto aqui. Abaixo, segue a fala de Cônego Cláudio.

Transcrição, áudio Cônego Cláudio Menegazzi (por ocasião do aniversário episcopal de Dom Airton, 2017)

Estimado Dom Airton, em nome do presbitério da Arquidiocese de Campinas, gostaríamos de deixar ao senhor uma singela mensagem, que vem de todo nosso coração enquanto seus filhos do Ministério e, também, irmãos em Cristo.

No dia 19 de dezembro de 2001, o senhor era nomeado, era eleito Bispo, pelo então Papa João Paulo II, hoje, São João Paulo II. E é exatamente 15 anos atrás, no dia 2 de março de 2002, na cidade de São Bernardo do Campo, Diocese de Santo André, que acontecia a sua ordenação episcopal, sendo o Bispo Sagrante Principal o saudoso Dom Décio Pereira.

Passados esses 15 anos, nos alegramos hoje com a data deste seu aniversário de ordenação. E gostaria de tecer aqui, em breves palavras, um aspecto da vocação de quem é chamado para a vida pública. Nós vemos que há políticos, artistas, juízes, dentre outras profissões que são chamados ao serviço ao povo, serviço esse repleto de desafios, exigências, muitas vezes complexas. Mas a vocação a ser diácono, presbítero, ou Bispo, não é profissão, como sabemos. Antes, aliás, como o senhor tão bem disse na homilia, é a entrega da vida a Deus, por Jesus Cristo, na Igreja e no mundo. Vocação iluminada, animada e ungida pelo Espírito Santo. Doação da vida a Deus, serviço amoroso constante ao povo. Por isso, a vocação religiosa presbiteral do Sacramento da Ordem é ainda mais pública, mais exigente e muito mais desafiadora. Eu sempre fico vendo a nossa vida de sacerdotes presbíteros, quantas exigências, quanto trabalho. Às vezes, chego até a dizer que “a igreja parece uma mina de serviços. O dia até precisaria ter 48 horas, muitas vezes, para darmos conta do que temos a realizar”. Aí fico a pensar e observar aqueles que tem o grau maior do ministério ordenado. A plenitude do Sacramento da Ordem, que é graça e ao mesmo tempo compromisso: o ministério episcopal para qual Deus lhe chamou. Quanto trabalho! Múltiplas preocupações, exigências multiplicadas por mais exigências, nós percebemos isso. E nos lembramos sempre de Jesus, que não tinha tempo nem para comer e nem para dormir, tudo por puro amor: amor ao Pai, amor ao povo, amor ao Reino.

Dom Airton, nesses quatro anos e 10 meses na Arquidiocese de Campinas, e completando hoje 15 anos de episcopado, vemos sua vida marcada por muitas características e dons de Deus. Mas gostaria de destacar hoje aqui, uma característica que se abre num leque  pastoral muito bonito, que é o trabalho. E nos recordamos do que Jesus dizia: “Meu pai trabalha sempre, e eu também trabalho”. Trabalho sempre voltado para o que é de Deus. Dom Airton, um operário do Senhor. Gostaria de deixar aqui em simples e breves palavras, algumas marcas do seu trabalho, como homem de Deus e servidor do povo: O trabalho pela comunhão na Igreja, comunhão como coinonia; comunhão é exemplo da Santíssima Trindade, de pessoas que se amam, e uma compartilha com a outra o amor, a amizade, a vida. A teologia do corpo, a teologia da comunhão como corpo, que tem muitos membros diferentes, mas todos unidos, e nós padres somos testemunhas, e também o povo, do quanto o senhor tem se empenhado para que haja cada vez mais comunhão, essa fraternidade entre todo o povo de Deus. E unir pessoas, fazer com que haja amizade, dá trabalho. Uma segunda característica de seu trabalho é a missão. A marca de uma Igreja missionária, a missionariedade, uma Igreja em saída, como Papa Francisco tem falado. Ir, anunciar, testemunhar Jesus Cristo e seu evangelho em todos os recantos. Ser presença viva de Jesus, não medir esforços, ser um incentivo, apoio, motivação real, por exemplo na Jornada Missionária da Arquidiocese, que aconteceu de outubro a dezembro próximo passado. Com que empenho e zelo o senhor manifestou essa marca do seu trabalho que é a missão. Não missão pela missão, mas para que Jesus, e seu projeto de vida, de justiça, de paz, se tornem realidades.

Outra característica: sua preocupação, carinho e empenho pela catequese. Catequese em todos os níveis, desde os pequeninos até os adultos. Quanto o senhor tem pedido para que nossas paróquias e comunidades articulem melhor os níveis todos da catequese. Catequese como processo de crescimento na fé, de aprendizado e transmissão dos valores do reino. E nós temos sentido quanto a catequese tem crescido, progredido e se articulado melhor em nossas foranias e paróquias. Se eu zelo pela liturgia, para que cada celebração transmita o essencial, o mistério, o que está na fonte, no âmago, e comunique as maravilhas da fé. Percebemos o quanto o senhor se preocupa para que as nossas celebrações sejam vividas, contenham todo o caráter mistagógico, revelando a profundidade do amor de Deus. Que nossas liturgias comuniquem Deus, como o senhor sempre diz, que é Pai, Filho e Espírito Santo e a beleza da comunidade reunida em seu nome, como estamos aqui nessa noite.

Outra marca de seu trabalho que ao meu ver é muito destacada: a prática pastoral. Muitas vezes nossa pastoral é muito burocratizada de mil formas, e perdemos a objetividade nos caminhos da evangelização. Dom Airton, temos percebido a sua preocupação com uma pastoral mais direta, prática, simples,  e ao mesmo tempo profunda e eficaz. Como dizia o Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi.”Não como que passando em verniz, mas atingindo o âmago da cultura presente”. O senhor tem sempre nos despertado e nos ensinado, como filhos no seu ministério, a sermos pastores zelosos, cuidadosos, até com pequenos detalhes em nossa prática pastoral. Faz-nos lembrar o que Jesus nos ensinou: Ele é a videira, e nós, os ramos, e se permanecermos nele, daremos muitos frutos, e a pastoral é para gerar os frutos que Deus espera de nós. E nesse sentido o senhor tem se empenhado, nos motivado para uma pastoral profundamente evangelizadora. A unidade do presbitério, seu esforço, Dom Airton, para que sejamos um presbitério bem unido, fraterno, marcado por relações de coleguismo, de mútua ajuda e amizade, de partilha de experiências, de vivências, de sentimentos, de verdadeiros irmãos, de Jesus Cristo em Jesus Cristo.

Marca própria de Dom Airton, tem sido os encontros do presbitério que o senhor sempre deseja que aconteçam cada vez mais. Aliás, como o próprio Papa Francisco tanto tem falado, e nos motivado, para uma cultura do encontro, uma eclesiologia do encontro, onde nos sentimos e somos chamados a construir mais do que solidariedade, mas fraternidade. E nós percebemos a alegria do senhor, e a nossa, quando temos nos encontrado com mais frequência. Por fim, o Direito, o senhor que é pós-graduado nessa área, tem também nos ensinado, na disciplina, as normas como serviço, a missão, a evangelização, a Igreja como sinal e instrumento do Reino e a nós como como sol da Terra e luz do mundo.

No início desta mensagem, eu falava das pessoas públicas, e dos consequentes trabalhos. Confesso, Dom Airton, que vejo e vemos no senhor, esse homem público de Jesus Cristo, e consequentemente, da Igreja, como servidor fiel ao Mestre e Senhor, atualmente em suas múltiplas funções, que nós admiramos e nem sabemos como o senhor consegue dar conta de tudo. Como Arcebispo de Campinas, como Arcebispo Metropolitano de Campinas, no acompanhamento a nossa Província Eclesiástica, constituída por seis dioceses, com 99 cidades. Como grão-chanceler da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e com o Hospital Maternidade Celso Pierro. Como presidente do Regional Sul I da CNBB, com praticamente 50 dioceses. Atuando no campo dos tribunais eclesiásticos, como membro titular do Conselho para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Na comissão episcopal para o Acordo Brasil – Santa Sé, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, e tantos organismos que decorrem do ministério episcopal. Com que amor, Dom Airton, dedicação e zelo apostólico o senhor tem realizado, promovido e vivido tudo isso. Nos lembra até o Apóstolo São Paulo, “Ai de mim se eu não evangelizar e tudo realizando com puro amor e em meio de muitos sofrimentos”.

Nós bendizemos a Deus, Dom Airton, pelo seus 15 anos de episcopado, pela sua entrega, a sua preocupação, para com toda Igreja, de modo especial esta Igreja da qual o senhor é pastor, fazendo-se amigo, nos motivando, nos ensinando. Parabéns por esta data, com alegria nós hoje aqui louvamos ao senhor por esses 15 anos de tanta dedicação, de testemunho. Que o senhor continue dando saúde, paz, e que o senhor continue conosco ao longo de muitos anos.