Homilia de Mons. Eduardo na Missa de Sétimo Dia dos falecidos na Catedral

Por Barbara Beraquet | publicado em | Arquidiocese

CELEBRAÇÃO DO SÉTIMO DIA NA CATEDRAL (17/12/2018 – 12h15)

Prezado Mons. Rafael Capelato e padres que trabalham aqui na Catedral

Prezadas autoridades civis e militares,

Prezados irmãos e irmãs aqui presentes,

Nesta celebração eucarística nos unimos às famílias, a esta comunidade paroquial da Catedral, representada por seu pároco, os padres, os colaboradores que aqui também vivenciaram momentos  de aflição e pavor.

Celebração do sétimo dia pedindo aos mortos aqui nesta Igreja o Eterno descanso, assim como o Criador, depois do trabalho na obra da criação descansou no sétimo dia.

Na fé em Deus que Pai de todos estamos unidos àqueles que morreram  nesta tragédia, pedindo que o Senhor nosso Deus misericordioso os acolha a todos na eternidade de sua casa.

Rezamos por aqueles que ainda estão se recuperando de seus ferimentos, sejam ferimentos físicos, sejam os ferimentos na alma.

“Na casa do meu Pai existem muitas moradas…” estes nossos irmãos foram chamados a entrarem na morada de Deus.

Recordamos as palavras do Papa Francisco sobre estes acontecimentos aqui na Catedral: “Diante deste momento de dor, é preciso buscar conforto em Jesus Cristo Ressusucitado, pedindo a Deus que a nossa esperança não esmoreça nesta hora de dor e provação. Que prevaleçam entre nós os sentimentos de amor e perdão e não os sentimentos de ódio e vingança.

É preciso neste momento de dor reforçar sim a esperança na vida, a esperança de que o bem sempre vencerá o mal. Reforçar a esperança nas pessoas e entidades que se dedicam intensamente a fazer o bem, a socorrer os necessitados, a dar consolo aos que sofrem, e que buscam dignidade para toda pessoa humana, onde quer que a vida esteja ferida, ameaçada… Pois o sentido mais alto da dignidade humana está justamente em alcançar a plena comunhão com Deus.

À luz da fé, os seres humanos são chamados convidados a fazer a experiência da vida em Deus.

O Criador, no infinito de seu ser nos chama a cada de um nós a sermos participantes da sua vida.

Desde sua eternidade Ele nos chamou à vida, a nossa primeira vocação. Nos quis, nos escolheu, nos chamou, nos amou…

Ao nos criar e nos dar a vida, o Criador olhou para nós com Amor, ter n ura e compaixão. Ele nos ama primeiramente. Seu amor não coloca condições. Simplesmente, por primeiro, Ele nos ama, depois nos chama a sermos portadores e testemunhas deste amor fiel a todos.

A morte, diz o Pe. Amedeo Cencini, é a nossa última vocação. A última chamada que Deus nos faz, para fazermos parte da plenitude de sua vida.

E, estes acontecimentos nos fazem refletir  o quão passageira é vida e, o quanto é parecido trabalharmos a cada dia para que estejamos preparados para respondermos a esta vocação, a última chamada.

Embora seja a chamada mais triste e, isto é natural, porque chamados a amar, o fazemos, ainda que imperfeitamente. Amamos, sobretudo nossos entes queridos, aqueles de nossa convivência, por isso é muito natural que os momentos de separação sejam sempre marcados pela dor. Dói a separação porque amamos. Quem ama quer estar perto, deseja o melhor para o outro, faz tudo pelo outro… Sabe sofrer as dores do outro, saber fazer suas também as alegrias do outro…

Deus nos ama infinitamente, apesar do jeito que nós somos, apesar de nossos limites e fragilidades. Por isso o salmista reza: “É preciosa por demais a vida dos santos e amigos de Deus. Por isso também diz o salmista: “É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos”.

Ainda assim, é preciso lembrar que a morte não é fim. Para os que têm fé, a vida não é tirada, mas transformada, nos ensina a Igreja. E, desfeito este nosso corpo mortal, faremos parte da vida em Deus. A morte, então, é passagem. Passagem para uma vida nova. Passagem da vida limitada para a vida que transcende as dimensões do tempo e do espaço e entra na dimensão da vida em Deus, da vida na sua plenitude e eternidade.

Chamados somos,  ao longo da vida a fazermos as experiências humanas, à luz da presença de Deus em nós. Por isso, neste momento derradeiro da vida renovamos nossa confiança em Deus que se fez presente no meio de nós como Pastor Bom, que nos conduz às fontes de águas refrescantes, repousantes. Que unge nossa fronte com óleo de exultação, que atravessa conosco os vales e campinas. Diz o salmista: Ainda que passe pelo vale tenebroso, pelo vale da morte, nada temerei, pois, o Senhor, o Pastor, com bastão e com cajado nos conduz à vida, às fontes de água viva.

Diz o ritual da Igreja para as Exéquias: Transportados no ombro do Bom Pastor possamos chegar às eternas alegrias.

Sim. É o Pastor Bom que nos acompanha no caminho da vida. É o Pastor Bom que, compadecendo-se de suas ovelhas feridas, cansadas, abatidas, machucadas, as carrega no ombro. Não as deixa caminhar, justamente porque estão machucadas…

Hoje nos encontramos aqui nesta mesma catedral. Nos encontramos com famílias ainda feridas, uma comunidade paroquial ferida que precisa e, aos poucos vai retomando seus projetos, sua rotina, seu serviço à comunidade da Igreja Arquidiocesana que está aqui no centro da cidade.

Mais uma vez, esta Igreja é chamada a ser mãe, a exercer sua maternidade. Desta feita para ser ombro e regaço materno aos que choram, aos entristecidos aos feridos. Esta, dentre outras coisas, é também a sua vocação. Acolher os que choram, os que sofrem.

E, nesta situações, em que a Igreja é chamada a ser ombro amigo, materno, também é preciso reafirmar que toda forma de violência é inaceitável. Toda forma de violência, repito: não apenas esta violência que sofremos nos últimos dias, mas também a violência das palavras, das atitudes, do não querer bem, de recusar um olhar àquele ou àquela qye está ao nosso lado… que são também formas de matar…

O fato ocorrido aqui nos últimos dias nos faz perceber que ainda a vida não é respeitada na sua dignidade, vida como dom sublime de Deus…

Justamente neste ano de 2018 que estamos terminando, a Campanha da Fraternidade nos fez um grande convite: Encontrar formas de superação da violência. Não fomos chamados a conhecer a violência, pois esta já a conhecemos, mas a proposta da Igreja foi no sentido de todos nós, sem exceção pudéssemos encontra formas de “superar” a violência, procurando vivenciar gestos de bondade, de solidariedade, de misericórdia e, sobretudo de perdão.

Sem perdão, não conseguiremos superar nenhum tipo de violência. Sem perdão não iremos muito longe nem com a religião, nem com as obras de caridade, nem com quaisquer outras iniciativas. Temos que cultivar em todas as nossas relações, em todos os círculos que fazemos parte o perdão e a reconciliação através de gestos concretos, ainda que pequenos.

Assim nos ensinou o Mestre já nos seus momentos de aguda perseguição e dor, quando disse a Pedro: “Guarda a tua espada na bainha”.

Deus não só nos perdoa até setenta vezes sete, ou seja, infinitamente, mas Ele mesmo é perdão. Se não tivermos a capacidade de perdoar, tenhamos a certeza: não estamos em Deus.

Bem-Aventurados, felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem aventurados os que choram, porque serão consolidados.

Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia

Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus.

 

A vocês, queridos familiares que hoje choram a perda de seus entes queridos:

Seus parentes morreram, entregaram a vida  realizando um gesto da mais alta nobreza. Estavam na Casa de Deus. Vieram aqui para encontrarem-se com seu criador. Aqui, nos insondáveis mistérios da vida e da morte Ele quis que o encontro já se tornasse pleno, fosse completo, ainda que para nós, isto tenha se dado de uma forma trágica. Mas, foi na oração, momento de encontro com Deus que o encontro foi plenificado.

Ainda que para nós, vieram buscar a Deus e encontraram a morte. Mas, é preciso morrer para ver a Deus na plenitude.

São exemplos de fé para nós. Com o são muitas e muitas pessoas que estando no centro da cidade não deixam de dar uma passadinha na Catedral para elevar a Deus as suas preces.

São pessoas que, mesmo partindo nos ensinaram a lição da fé, da certeza da vida em Deus.

Eles têm muito a nos ensinar. Com certeza foram pessoas preciosas ao seu convívio. Eles cumpriram aquilo que Deus esperava deles. Não é tão simples olhar as coisas desta forma. Mas, podemos dizer que, aos olhos e o coração de Deus estavam prontos, preparados…

Eles continuarão vivos nas vidas de vocês. Guardem-nos na lembrança e no coração. Guardem os momentos felizes, os momentos de entre-ajuda, os momentos de amor, os momentos de convivência, os momentos de querer-bem.

Os limites e fragilidades não nos cabem julgar. Pedimos sim, que Deus na sua infinita bondade e misericórdia os perdoe de suas faltas e os acolha para fazerem parte das eternas alegrias.

Com São Francisco, elevamos a Deus, desde nossa dor rm canto de louvor:

Louvado seja o Senhor, naqueles que sofrem e padecem suas dores.

Louvado seja o Senhor pelo sol, pela lua, pelas estrelas do firmamento.

Louvado seja o Senhor, pelos animais, pelo vento, pelas águas, pela chuva…

Louvado seja o Senhor, por todas as suas criaturas.

Louvado seja o Senhor, por aqueles que promovem a paz.

Louvado seja o Senhor em tudo que Ele faz.

 

Que Nossa Senhora, a Mãe das Dores, a advogada, mãe que compadecida, pois se compadece de nós em nossas fraquezas, esteja junto a estes seus filhos que entregaram a vida nos últimos dias. Que neste momento em que eles se apresentam ao Cristo, que a advogada apresente a Deus a causa de cada um deles. Amém.

 

NOSSA GRATIDÃO A TODOS:

COMUNIDADE DA CATEDRAL

ARQUIDIOCESE DE CAMPINAS

POLÍCIA MILITAR E GUARDA MUNICIPAL

PODERES PÚBLICOS : DELEGADO DE POLÍCIA , SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA

PREFEITO MUNICIPAL DE CAMPINAS

 

AGRADECEMOS AINDA AS INÚMERAS MENSAGENS DE CONDOLÊNCIAS E SOLIDARIEDADE À IGREJA DE CAMPINAS E ÀS FAMÍLIAS ENLUTADAS:

Santo Padre , o Papa Francisco

Nunciatura Apostólica

Cardeal Versaldi Pref. Congr. Ed. Católica

Cardeal Dom Odilo Scherer

Cardeal Dom Orani Tempesta

Mons. Montanari – Roma

CNBB Nacional e Sul I

Bispos e Arcebispos e suas respectivas dioceses

Casa da Reconciliação S P – Cônego José Bizon

Caritas Brasileira

CNLB

Puc Campinas

Representantes dos poderes públicos e entidades civis e miliatres

 

De outras Religiões:

Congresso Judio Latinoamericano (Adrian Werthein Presidente)

Federação Israelita do Estado de São Paulo (Luiz Kignel – Presidente)

Congregação Israelita Mineira  – Rabino Uri Lam

Sociedade Islâmica de Campinas


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