4º Domingo Comum – Ano C – 03/02/2013
A caridade é paciente, é prestativa, não é invejosa, não se enche de orgulho, não se irrita, não guarda rancor. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade jamais passará!
Evangelho: Lc 4, 21-30
1. Lucas 4,14-30 é uma síntese de tudo o que aconteceu na vida e ação de Jesus. Lucas quis, – desde o início da atividade de Jesus, – mostrar o que acontece ao longo de todo o evangelho e o que acontece também na caminhada das comunidades (Atos dos Apóstolos) : a mensagem de libertação encontra forte resistência e rejeição.
2. Aqueles que não admitem que a Boa Notícia seja anunciada aos pobres, que não querem ver os oprimidos libertados, que não desejam ver livres os presos, perseguem até a morte os promotores da libertação. Isso, segundo Lucas, aconteceu com Jesus já no início de sua atividade libertadora, na sua terra, no meio do seu povo. Segundo estudiosos, o texto deste domingo, é síntese de pelo menos três visitas de Jesus à sua terra. Mas o evangelista fez com que essas três visitas sucessivas se tornassem uma só, de modo que, - ao rejeitar Jesus e sua mensagem de libertação, – o povo de Nazaré perde para sempre a possibilidade de estar em contato com o libertador e salvador, excluindo-se do “hoje” do Deus que age na história (v.21).
3. QUAL É A AÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA? O projeto de Jesus é libertar os empobrecidos, oprimidos e marginalizados (ev. de domingo passado). Mas seu programa encontra fortes rejeições. E não se trata de simples discussão em torno de pon-tos de vista. A rejeição de Jesus e seu projeto culmina em Jerusalém, onde ele é crucificado e morto por seus opositores.
4. Veremos: a. por que Jesus foi rejeitado? – vv. 22-23
b. Deus não se prende a um povo – vv. 24-30
a. por que Jesus foi rejeitado? – vv. 22-23
5. 1º. obstáculo. O primeiro obstáculo é A ENCARNAÇÃO: Jesus é um deles: “não é este o filho de José?” (v.22a). O povo esperava um messias espetacular, capaz de ações mágicas e miraculosas. Para o povo de Nazaré é impossível que Deus aja através de uma pessoa comum, cujas origens são conhecidas de todos. O provérbio: “médico, cura-te a ti mesmo” (v.23ab) pode ter este significado: “olhe para você mesmo: pobre, sem projeção social, incapaz de libertar os próprios fa-miliares da opressão e miséria”.
6. 2º. obstáculo. O segundo obstáculo é A BUSCA DE MILAGRES: “faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum” (v.23b). Jesus se recusa a cumprir sinais em benefício próprio; recusa-se a ser ídolo da abundância, do prestígio, do poder e da riqueza (cf. as tentações de Jesus em 4, 1-12). A fé no Deus libertador não é resultado de um cálculo meticuloso das probabilidades. Fé é entrega total!
7. Esses dois obstáculos impedem que O “HOJE” da libertação atinja o povo de Nazaré. Só quem tem os olhos do pobre será capaz de aceitar a liber-tação que vem do Messias pobre e aliado dos marginalizados.
b. Deus não se prende a um povo – vv. 24-30
8. A situação de Jesus é semelhante à dos profetas antigos, rejeitados por seus conterrâneos (v. 24). Jesus lhes recorda dois episódios do passado: o de Elias que, sob a ação de Deus, vai socorrer a viúva de Sarepta, uma estrangeira de Sidônia (vv.25-26; cf. 1Rs 17), e o de Eliseu que cura o sírio Naamã (v.27; cf. 2 Rs 5). A rejeição dos profetas serve de ocasião para que Deus se manifeste aos que estão fora de Israel e os salve. Estes, por sua vez, reconhecem que Deus age por meio dos profetas e passam a reconhecê-lo como o único Deus verdadeiro.
9. Para Lucas, a rejeição de Jesus em Nazaré (e a rejeição do evangelho por parte dos “judeus” nos Atos dos Apóstolos) serve de ocasião para manifestar que Deus não pode ser condicionado a um povo ou raça.
10. A reação dos habitantes de Nazaré é violenta: rejeitam Jesus e seu programa de libertação tentando precipitá-lo de um monte. Jesus está sendo rejeitado enquanto PROFETA DO PAI.
10.1. O episódio recorda, por contraste, Dt 13,2ss.
- Lá, o falso profeta deveria ser morto, “porque propôs uma revolta contra Javé seu Deus, que tirou vocês do Egito e os resgatou da casa da escravidão” (Dt 13,6a).
- Aqui, Jesus é rejeitado por se apresentar como aquele que renova os prodígios do Deus que libertou Israel da escravidão egípcia.
- Mas é impossível deter o processo de libertação: “Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho” (Lc 4,30).
1ª. Leitura: Jr 1, 4-5 . 17-19
11. PROFETAS são pessoas para tempos difíceis. Foi assim com Jeremias, que se sentiu chamado por Deus em torno de 627/626 a.C.. Jeremias é uma pessoa possuída por Deus. No plano humano tem-se a impressão de que não haja espaço para o profeta ser livre e dono de suas decisões; na dimensão da fé, sente-se a presença de Deus junto ao profeta, sustentando seus passos nos conflitos que a sociedade arma contra ele.
12. EU TE ESCOLHI … TE CONSAGREI … TE NOMEEI. Foi assim que aconteceu com Jeremias. Sua vocação antecede a concepção, e a nomeação o nascimento: “antes que eu te formasse no ventre materno, eu te escolhi; antes que tu nascesses, eu te consagrei e te nomeei como profeta das nações” (v.5).
13. PORTA-VOZ CREDENCIADO. A missão de Jeremias foi cheia de conflitos. Desde o início Deus o nomeia profeta das nações, e pede-lhe que ponha o cinto, ou seja, que esteja pronto para mergulhar no conflito Deus confia seu projeto ao profeta, do qual ele se torna porta-voz credenciado: “levanta-te e fala a eles tudo o que eu te ordenar!” (v.17a).
14. CONFLITOS. Como superar o medo dos conflitos? Mediante a confiança absoluta no aliado, que é Deus: “não tenhas medo deles, senão eu é que vou te meter medo na presença deles!” (v.17b). Deus se mostra o aliado fiel do profeta, forta-lecendo-lhe as disposições. Isso é demonstrado pelo texto mediante três imagens: cidade fortificada, coluna de ferro, muro de bronze (v.18a). Jeremias será mais forte que Jerusalém – da qual ele contemplará a ruína, – mais forte que suas muralhas e colunas.
15. CONTRA QUEM ? Mas contra quem Deus envia o profeta? Quem é que irá persegui-lo? E por que será perseguido? O profeta é enviado: - Contra os reis e seus ministros. – Contra os sacerdotes. – Contra os latifundiários. Ou seja, poder político, poder religioso e poder econômico.
16. O profeta é enviado contra os reis de Judá e seus ministros. A palavra de Jeremias irá incomodar os que detêm o poder político, as lideranças que usam o poder em benefício próprio, que fazem da política um jogo de interesses pessoais. (… bem que está fazendo falta a presença de Jeremias hoje!)… O profeta, portanto, desestabiliza o poder político absolutizado. Não esqueçamos que Jeremias é profeta às vésperas do exílio, e que o exílio tem como prin-cipal responsável quem detém o poder político.
17. O profeta é enviado contra os sacerdotes. A palavra profética irá desestabilizar o falso sacerdócio, o poder religioso. Jeremias era da família sacerdotal, descendente de Abiatar, sacerdote que Salomão exi-lara porque lhe fazia oposição. O profeta, portanto, mexe com o poder religioso que compactua com o poder político. Para ambos, o anúncio profético é a pedra no sapato.
18. O profeta é enviado contra os latifundiários. O termo hebraico “‘am há-ares” (povo da terra) representa os latifundiários, donos do poder econômico, que, à custa da exploração, se apoderaram das terras, expul-sando do campo os pequenos agricultores.
19. Esses três segmentos sociais – detentores do poder político, religioso e econômico – moverão perseguição contra o profeta de Deus. Mas a palavra profética e a força do Deus da aliança são mais fortes que os poderes absolutizados: “mesmo que façam guerra contra ti, não te poderão vencer, pois EU ESTOU CONTIGO PARA TE LIBERTAR” (v.19). Deus se mostra O ALIADO DO PROFETA, da mesma forma que o fora em tempos passados, quando lutou e venceu o poder do Faraó, que acumulava em suas mãos a realeza, os bens e o título de filho dos deuses.
20. Jeremias recorda o que Jesus fez ao enfrentar o Sinédrio, onde se agrupavam os latifundiários, os donos da sabedoria e o poder religioso que manipulavam o povo. O Sinédrio também moveu guerra a Jesus, condenando-o à morte. Mas a vitória de Jesus sobre a morte e seus patrocinadores continua sendo a esperança de todas as vozes proféticas de ontem e de hoje.
2ª. Leitura: 1 Cor 12, 31 – 13, 13
21. Após ter mostrado que os coríntios tinham uma visão redutiva e personalista dos carismas (leit. de domingo passado), Paulo lhes dá uma ordem: “procurem os dons mais altos” (v.31a), e passa a apresentar, – no capítulo 13, – a razão de ser dos carismas. A BASE DE TUDO É O AMOR (13,1-3), um amor ativo que se traduz na solidariedade prática.
22. HINO DA CARIDADE. O capítulo 13 serve de fundamentação para a questão dos carismas. O amor era a nota característica dos primeiros cristãos, e deveria sê-lo também para os coríntios. Mas … a competitividade na busca dos carismas extraordinários havia criado clima tenso na comunidade.
23. Nos elencos de dons apresentados anteriormente, Paulo pusera em último lugar os dois carismas mais ambicionados pelos coríntios (línguas e profecias). Aqui, no hino do amor, – coloca-os logo no início. Em primeiro lugar, o dom das línguas (v.1): se não serve à edificação da comunidade os que falam em línguas – as dos homens e as dos anjos – são como sino barulhento que irrita os ouvidos. Em segundo lugar, vem o dom da profecia, do conhecimento de todos os mistérios, de toda ciência e a fé extraordinária a ponto de transportar montanhas (v.2). Os coríntios ambicionavam fortemente esses dons (cf. 8,1), porém, em vista da promoção pessoal, e não como formas de se solidarizar com os outros. Sem a solidariedade prática, aquele que possui um desses dons nada é.
24. O v. 3 vai além. Até a coragem de distribuir tudo aos famintos e, mais ainda, de entregar o próprio corpo às chamas, não resistindo ao martírio, se tudo não fosse movido pela solidariedade, nenhum valor teria.
25. Os vv. 4-7 descrevem o que é SER SOLIDÁRIO. Temos aí quinze expressões, mostrando o que é e o que não é viver a solidariedade. Com isso fica claro que amor é ação eminentemente concreta em favor de alguém, no caso a comunidade e as pessoas mais necessitadas, os fracos e os pobres. AMOR, portanto, NÃO É SENTIMENTO, MAS ATITUDE CONCRETA que nos leva a superar os conflitos, fazendo obras que levem à comunhão com todos, e deixando de fazer o que tenha conotação exibicionista.
26. Em Corinto alguns se incharam de orgulho (cf. 4,6.18-19; 5,2; 8,1); outros tornaram-se indecentes (cf. 5,1), e até nas celebrações comunitárias faziam-se coisas in-convenientes que beiravam os ritos pagãos (cf. 14,40), reproduzindo na comunidade o modo de ser e agir da sociedade injusta. A solidariedade é marcada pelo equilíbrio e pela busca do bem comum: “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (v.7).
27. Cabe à comunidade cristã escolher entre O TRANSITÓRIO e O PERMANENTE: ”o amor jamais passará” (v.8a), pois Deus é amor. O objetivo último da comunidade é vivê-lo em todas as suas dimensões e manifestações, até que venha a perfeição e desapareça o que é limitado (cf. v.10).
28. Para Paulo não existe expressão mais perfeita do ser cristão, da vida em Cristo do que o amor solidário entre as pessoas. Mais uma vez ele relativiza a função das línguas, profecia e ciência (cf. vv.8b-9). Paulo já havia alertado os coríntios de que havia muita infantilidade no meio deles, pois cada qual tomava partido em favor de um agente de pastoral (cf. 3,1-5). Essa infantilidade se refletia também naqueles que se ostentavam por causa dos dons extraordinários que haviam recebido. O cristão maduro não procura essas coisas com tal escopo (cf. v. 11). É chegada a fase adulta do ser cristão.
29. O v. 12 contrapõe O AGORA e O DEPOIS, dois momentos sucessivos. O primeiro movimento (agora) é embrionário e revela transitoriedade. O conhecimento aí é limitado. Por isso mesmo requer o discernimento em vista da solidariedade práti-ca. O segundo momento (depois) é a fase definitiva, e só aí o conhecimento é pleno.
30. O hino conclui ressaltando a primazia do amor sobre a fé e a esperança. A fé, para Paulo, se concretiza no amor entre os membros da comunidade. É o amor quem cria laços, supera conflitos, impelindo para frente, na esperança. O amor é, pois, a forma concreta na qual a fé se expressa.
R e f l e t i n d o . . .
1. Hoje encontramos a resposta de várias perguntas que ficaram abertas no domingo anterior.
- Será mesmo que Jesus veio para instaurar o ano de remissão das dívidas?(Lc 4,19). – Jesus teria desejado realizar materialmente a utopia?
2. Parece que Lucas, o único evangelista que aborda este tema, quer dizer algo mais. Na sua descrição, ele reúne diversos elementos.
2.1. A citação de Is 61,1-3, na boca de Jesus (Lc 4,16-19), tem por quadro uma combinação de Mc 1,21 (ensino na sinagoga) e 6,1-6 (rejeição em Nazaré).
2.2. Percebemos uma correspondência de teor teológico entre o versículo 19, ”um ano ‘agradavel’ (dektón) da parte do Senhor”, e o versículo 24: “nenhum profeta é agradável (dektós) em sua terra”.
2.3. A citação do “ANO DE GRAÇA” não é relacionada, – por Lucas -, com uma mera reforma social, mas com a pessoa de Jesus mesmo.
2.4. Jesus anuncia o “ano agradável da parte do Senhor”, a encarnação dos dons de Deus para seu povo, especialmente para os pobres e humildes (cf.Dt 15).
2.5. Mas o povo de Nazaré não recebe com agrado o profeta que o anuncia… Nazaré aplaude a mensagem do ano de remissão, mas rejeita aquilo que o profeta em pessoa representa: a salvação universal. A restauração dos empobrecidos é a porta de entrada da salvação universal, pois o que é para todos tem de começar com os últimos, os excluídos.
3. A rejeição acontece de mansinho, e devemos admirar novamente a arte narrativa de Lucas.
3.1. Primeiro, o povo admira Jesus e suas palavras. Mas sua admiração é a negação daquilo que Jesus quer.
3.2. Desconhecendo o “Filho de Deus” (cf. 3,22-23), tropeçam na sua origem por demais comum: “não é este o filho de José ?” (4,22).
3.3. Jesus toma a dianteira. Prevendo que eles apenas quererão ver suas façanhas, como as fez em Cafarnaum (Lc pressupõe aqui Mc 1,21ss), Jesus lança um desafio: ele não é um médico para uso caseiro.
3.4. Como nenhum profeta é agradável à sua própria gente (I leit.), sua missão ultrapassa os morros de Nazaré. E insiste: Elias, expulso de Israel, ajudou a viúva de Sarepta, na Fenícia, e Eliseu curou o sírio Naamã …
4. Os nazarenses, ciosos, não aguentam essas palavras e querem jogar Jesus no precipício (uma variante do apedrejamento). Mas Jesus, – com autoridade do Espírito que repousa sobre ele, – passa no meio deles e vai adiante …
- Nazaré perdeu a oportunidade, prefigurando assim a sorte da “pátria” do judaísmo: “Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes quis eu reunir teus filhos” … (Lc 13,34-35) – “Ah, se neste dia conhecesses a mensagem da paz … Não reconheceste o dia em que foste visitada!” (19,41-44). Trata-se da visita de Deus a seu povo e ao santuário (cf. Ml 3,1), que não foi “agradável”, bem recebida.
5. A 2ª. leitura é O HINO DO AMOR-CARIDADE (1 Cor 13). DO AMOR EFETIVO e AFETIVO, pois seria errado entender a “caridade” num sentido insípido, inumano, como frio cumprimento de deveres caritativos. Amor é essencialmente afeição, uma questão de engajamento da personalidade toda, uma certa paixão (por isso, faz sofrer). AMOR é SEMPRE AFETUOSA DOAÇÃO, perder-se para o bem do outro. Não há um amor para a vida normal e uma “caridade” para fins religiosos. A gente só tem um coração.
6. Na homilia, este tema do amor poderia preceder o tema do evangelho, a rejeição da “afetuosa” oferta de salvação de Deus em Jesus Cristo.
- Com vistas à atualidade, pode-se sublinhar que Nazaré faz valer prerrogativas que nada tem a ver com o plano de Deus, pois este é para todos.
- Ironicamente, rejeitando seu “santo de casa”, Nazaré rejeita também o plano de Deus que ele encarna: levar a boa-nova aos pobres (14,18). Pois tal plano é incompreensível para uma mentalidade auto-suficiente preocupada com prer-rogativas próprias e precedências particulares.
7. Os antigos israelitas achavam que a aliança de Deus pertencia exclusivamente a eles. Também achavam que bastava ser israelita para ter a salvação garantida. Não aguentavam que os seus profetas os criticassem. Por isso, quando Deus manda o profeta Jeremias, já o prepara desde o início para en-frentar a resistência de seu povo (I leit.).
8. Semelhante resistência também a encontra Jesus, especialmente na própria terra, Nazaré. Ele anuncia que o Reino de Deus e a libertação se destinam também aos pagãos, e mesmo com prioridade (ev). Aos que ciosamente esperam dele milagres para sua própria cidadezinha, Jesus lembra que os mi-lagres de Elias e Eliseu favoreceram estrangeiros. Por isso, os seus conter-râneos querem precipitá-lo da colina de sua cidade. Mas Deus o torna firme e inabalável – como o tinha prometido a Jeremias. Com autoridade assombrosa, Jesus atravessa o corredor polonês formado pelos que ameaçam sua vida.
9. A Igreja, corpo e presença de Cristo, deve anunciar ao mundo a salvação para todos, sem discriminação ou privilégio. Ser “gente da casa” (católico de tradição) não tem peso algum. A boa-nova é para todos quantos quiserem converter-se.
9.1. A primeira exigência do ser cristão é não ser egoísta, não querer as coisas só para si – nem as materiais, nem as espirituais. O evangelho não é privilégio.
9.2. Excluir quem quer que seja, por pertencer a outra classe, ideologia ou ambiente, está em contradição direta com o evangelho e a prática de Jesus. O Evangelho é para todos. Se alguém, – por força de sua cabeça fechada, - tapa os ouvidos, problema dele. Portanto, “os de casa” não rejeitem o profeta que se dirige aos outros …
9.3. Para anunciar a Boa-Nova a todos, a Igreja “toda profética”, não deve ser escrava de privilégios e influências alheias. Deve falar com a desinibição que caracteriza os profetas. Os que nela possuem o carisma profético devem destacar-se por sua autenticidade, sua coragem de mártir, sua simplicidade que deixa transparecer o Reino de Deus em sua vida.
10. DEPOIS de todos os esforços para integrarmos em nossas comunidades ricos e pobres, brancos e negros, homens e mulheres, constatamos que as dis-criminações, as “panelinhas”, os particularismos continuam … Quem mora mais perto da igreja matriz deve ser melhor atendido … Quem tem algum primo padre tem direito a cerimônias melhores… Quem contribui com mais dinheiro para a igreja, deve ser tratado com mais deferência, de um modo mais condigno … Muitos pensam que Deus está aí só para eles”! A Igreja é realmente (= na prática) para todos, ou somente para gente de bem, “gente da casa”?
11. O REINO DE DEUS é a negação de todos os limites, pois implica numa total abertura a todos sem distinção e sem precedência. A grande mensagem é um amor sem fronteiras, sem limites, sem barreiras. Como a luz, o amor irradia forte sua luminosidade e seu calor que se expressam em solidariedade e compaixão.
12. Cristãos, não podemos ser apenas “sombras” desse amor. Se assim for, seremos capazes apenas de dar aquilo que nos sobra, que não nos serve mais, que está nos incomodando ou que estava esquecido em algum canto… Sem compreendermos e cultivarmos em nosso coração um cristianismo adulto (= um amor adulto, forte e generoso) não seremos capazes da generosa doação de nós mesmos a que o Cristo nos convida com seu chamado. Olhar para o Cristo crucificado nos faz descobrir e conhecer (= interiorizar) a real dimensão da doação: é esta que se chama doação verdadeira, amor verdadeiro. Qualquer outro será só e apenas sombra, e sombra não muda o mundo (aliás não nos muda de forma alguma: não nos faz melhores, não nos realiza; é mesmo o que significa nuvem que passa).
13. AMAR SE DEFINE COMO CUIDAR, tomar cuidado do outro, preocupar-se ou melhor, ocupar-se com o outro, buscar que ele se torne feliz, viva contente, supere suas dificuldades, sinta que há alguém com quem ele pode contar em todas as horas, nas boas e nas tristes. O Cristo nos amou até o fim …
Material Elaborado pelo Prof. Ângelo Vitório Zambon
Comissão Arquidiocesana de Liturgia – Campinas
Fontes: Bíblia de Jerusalém, Bíblia do Peregrino, Dicionário Bíblico (Mckenzie), Liturgia Dominical (Konings), Dicionário de Liturgia, Vida Pastoral, Homilias e Sugestões (BH), Novo Comentário Bíblico S. Jerônimo AT-NT, Roteiros Homiléticos (Bortolini).





