O Amor não é Amado

Por Barbara Beraquet | publicado em | Acesse nossos artigos

Por Pe. Paulo Emiliano – Paróquia São Francisco de Assis – Indaiatuba.SP

e-mail: saofranciscoindaia@arquidiocesecampinas.com

Na primavera que exala seus perfumes e cores, no calor dos dias que seguem a envolver e a despertar para algo bom que a vida tem a oferecer, Outubro tem gosto de avistar o fim do ano.

Há várias maneiras de manifestar o amor. No ano de 1226, Francisco de Assis deixa este mundo como alguém que buscou anunciar exatamente a frase que leva o título deste singelo artigo. Buscou despertar o coração dos que estavam perto e longe, para que percebessem no cotidiano o grande amor de Deus para com todos.

Francisco conseguiu ver, de maneira simples e despojada, a presença do ’Onipotente e Bom Senhor’ nas pessoas e em toda a obra da Criação, iniciando um testemunho de que para seguir a Cristo não precisamos de tantas coisas: basta o amor que se traduz em gestos concretos  e iniciativas inspiradas que promovem o bem e a vida, fazendo acontecer uma nova maneira de ver o que Deus criou.

Nas inúmeras passagens que retratam sua vida relatadas por diversos autores, a mensagem de Francisco continua atual e a inspirar o cotidiano marcado pelo desamor. Levar amor onde existe ódio, o perdão onde existe ofensa, a união onde há discórdia, a fé onde há dúvida; substituir o erro pela verdade, a tristeza pela alegria; iluminar as trevas – tudo isto constitui um exercício  diário para não se perder o ensinamento  de Jesus (cf. Mt 7,12).

Francisco de Assis e do mundo inspira, assim, a humanidade para o cuidado para com todos, para o conhecimento das virtudes e das mazelas, porém sempre mais virtudes, dadas pelo Amor maior que é o próprio Deus. Inspira para que a vida seja cultivada e não ceifada pelo suicídio que gera tristeza e dúvida nos corações que ficam. Que a vida não seja tirada na sua concepção nem no seu declínio, mas que a ‘Irmã Morte’ venha no seu tempo natural sem que haja necessidade de apressar ou subtrair. O cuidado para com o ser humano deve ser sempre um alerta numa época em que as máquinas e a tecnologia parecem demonstrar indiferença  nas relações, não abrindo espaço  para o afeto, para a convivência, para a tolerância, gerando violência  em diferentes esferas.

Que este mês seja de alegre esperança para que, ao planejar ou rever, o amor seja levado em conta. Que a inspiração sejam os santos e as pessoas que ousam acreditar na força do amor que gera e que não exclui a vida, seja qual for a sua forma. Deus inspire no exemplo de São Francisco para que o Sínodo da Amazônia, que está acontecendo, traga as luzes necessárias para a ação da Igreja em um lugar de uma beleza ímpar, que para ser preservado deve ser visto levando em consideração seus habitantes. “Um único raio de sol é suficiente para afastar muitas sombras” (S. Francisco)

 


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