O grito da terra e dos pobres!

Por Antonio Alves | publicado em | Acesse nossos artigos

 

Por  Pe. José Arlindo de Nadai, pároco emérito da paróquia Divino Salvador

Nem bem  demos conta do fogaréu das queimadas das florestas da Amazônia e da identificação dos responsáveis pelo “Dia do fogo” no Estado do Pará e já deparamo-nos com novo desastre ecológico nas águas que banham a costa brasileira dos Estados do Nordeste, devido ao derramamento de óleo cru, causando incalculáveis danos ao Meio Ambiente daquela região, com a poluição das águas, ameaça à vida marítima, prejuízo econômico a pescadores e marisqueiras e a toda a população que sobrevive da rede turística daquelas cidades praianas.

 As redes sociais de comunicação, a todo momento nos informam e nos assustam com as dimensões e extensão territorial do desastre e suas graves conseqüências;  bem como lamentam o desleixo e a demora de órgãos governamentais aos quais cabia, por primeiro, a responsabilidade de intervenções rápidas, eficientes e resolutivas que ao menos amenizassem os prejuízos. Enquanto isso assistimos o empenho, a luta e até o risco que correm as populações recolhendo as manchas de óleo com as próprias mãos, em comovente mutirão de limpeza!

 Que tristeza! Tantas vezes temos ouvido esse lamento que clama aos céus. Mais triste e lamentável ainda é (segundo um comentarista) contemplar o Ministro do Meio Ambiente fazendo um passeio de helicóptero pelo espaço aéreo da região afetada sem escutar o grito das pessoas e o gemido das águas contaminadas e sem sentir o cheiro do óleo derramado…

 Ao ler e tomar conhecimento das conclusões do Sínodo da Igreja sobre a Amazônia, uma delas exorta-nos a uma conversão ecológica, no sentido do respeito à Casa Comum e no cuidado com a Natureza e com tudo o que pode favorecer o desenvolvimento da vida, em todas as suas etapas de evolução e crescimento. Esta atitude de conversão ecológica individual e socialmente nos interpela a escutar o grito da terra e das populações pobres da Amazônia, certamente, mas também agora dos pobres atingidos pelo derramamento de óleo na costa brasileira do Nordeste. Quem se nega a esta conversão, comete grave falta, “pecado ecológico”, por ação ou omissão contra a integridade da criação, o próximo, a comunidade, o meio ambiente (onde acontece o milagre da vida); e contra as futuras gerações e os Direitos Humanos.

Continuemos a acompanhar o desdobramento desse último desastre ambiental. Tudo no Universo está interligado. “Ribeirinhos, guardiões de nossa Casa Comum. Laudato Si! É Francisco chamando um a um!”

 

Convite:

Pe. J. O. Beozzo fará palestra sobre o Sínodo da Amazônia, no dia 11.11.2019, às 19 h, no Centro de Pastoral Pio XII, Rua Irmã Serafina, 88. Foi assessor dos Bispos Brasileiros.

 

 


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