Sínodo para a Amazônia

Por Barbara Beraquet | publicado em | Arquidiocese

Há cerca de dois anos, no dia 15 de outubro de 2017, antes da Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco anunciou uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica (Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), a ser realizada em Roma, em outubro de 2019. Na ocasião, o Papa disse que “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”.

Fomos todos surpreendidos ontem, dia 12 de fevereiro, com uma entrevista do Gen. Augusto Heleno, Ministro do Gabinete de Segurança Institucional – GSI, que afirmou estar o governo federal preocupado com o Sínodo pois, nas palavras do general, “tem algumas coisas na pauta do Sínodo que são assuntos de interesse do Brasil e quem cuida da Amazônia brasileira é o Brasil. Não tem que ter palpite de ONG estrangeira, não tem que ter palpite de chefe de Estado estrangeiro”.

Uma reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” também traz a informação de que as atividades da Igreja Católica estão sendo monitoradas pela Agência Brasileira de Inteligência – Abin. O Gen. Heleno afirma que essa nota é totalmente infundada, e que “em nenhum momento falei em espionar ninguém nem a Abin tem essa missão, nem a Abin vai monitorar ninguém com essa conotação”.

Diz ainda o general que “a preocupação com o Sínodo é uma preocupação real, porque o Sínodo tem uma pauta que ele vai desenvolver e alguns assuntos dessa pauta são de interesse de segurança Nacional”.

A fala do Ministro do GSI trouxe uma ótima oportunidade de divulgação e de esclarecimentos oportunos sobre o Sínodo da Amazônia, principalmente para nós católicos, tantas vezes informados apenas pela grande imprensa.

Um Sínodo é uma reunião do Papa com os Bispos da Igreja Católica Apostólica Romana com o objetivo de discutir algum assunto em especial para auxiliar no governo da Igreja. Instituído pelo Papa São Paulo VI, através do Motu Próprio “Apostolica sollicitudo”, de 15 de setembro de 1965, o próprio Papa definiu o Sínodo como “uma instituição eclesiástica, que nós, interrogando os sinais dos tempos, e ainda mais procurando interpretar em profundidade os desígnios divinos e a constituição da Igreja Católica, estabelecemos, após o Concílio Vaticano II, para favorecer a união e a colaboração dos bispos de todo o mundo com essa Sé Apostólica, através de um estudo comum das condições da Igreja e a solução concorde das questões relativas à sua missão. Não é um Concílio, não é um Parlamento, mas um Sínodo de particular natureza”.

O Sínodo da Amazônia, como disse o Papa Francisco, tem o objetivo de “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus”. Também disse o Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Steiner, que “é um evento, uma celebração da Igreja e para a Igreja”.

O Arcebispo Emérito de São Paulo e Presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia da CNBB, Cardeal Cláudio Hummes, afastou alguns temores que poderiam se manifestar em relação à assembleia sinodal, já em novembro de 2018: “Há certos temores, até do Estado, da política brasileira e dos outros países. Mas ali não precisa ter temor nenhum, porque a Igreja não está querendo de forma nenhuma promover ali uma nova nação, um novo país, não. A Igreja fica como está, mas temos que saber trabalhar e estarmos interligados, respeitando as diferenças”.

No dia 08 de junho de 2018 foi apresentado o documento preparatório para a assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônia, que tem como tema: “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Clique aqui e acesse a íntegra do documento, no site do Vaticano.

Assim, os Órgãos de Segurança do nosso País podem estar tranquilos quanto à soberania nacional e os rumos do Sínodo dos Bispos e que todos os católicos assumamos as ações pastorais que deverão ser sugeridas para que se construa a paz, a fraternidade e a justiça, na Amazônia e em todo o mundo, sinais do Reino de Deus, anunciado e testemunhado por Jesus Cristo.


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