Uma Quaresma de Conversão

Por Barbara Beraquet | publicado em | Acesse nossos artigos

Por Pe. Paulo Emiliano – Paróquia São Francisco de Assis – Indaiatuba, SP

E-mail: saofranciscoindaia@arquidiocesecampinas.com

A Quaresma é uma oportunidade para nos propormos algo novo, aprofundarmos a oração e o recolhimento, preparando-nos para celebrar a Páscoa da Ressurreição, vitória da vida sobre a morte pelo sacrifício redentor do Cristo. Além de uma proposta de conversão individual, durante este período, há um apelo para a conversão social, através da Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).

A prática deste período torna-se ocasião para que se verifique como anda a conduta dos que querem imitar o Crucificado-Ressuscitado nos âmbitos pessoal e social. Nos últimos anos, tem-se verificado no Brasil uma complexa realidade no exercício entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Refletir, rezar e lançar iniciativas em torno de políticas públicas é de grande importância para se entender a maneira pela qual as mesmas atingem a vida cotidiana e o que pode ser feito para que se concretizem.

Que fique claro que políticas públicas representam soluções específicas para as necessidades que vão surgindo onde se vive. “São ações do Estado, que buscam garantir a segurança e a ordem por meio da garantia dos direitos, e expressam em geral, os principais resultados oriundos da presença do Estado na economia e sociedade brasileira”. (CNBB, DGAE, 2018, nº 15)

Ao meditar e fazer memória da entrega do Senhor e da Sua vitória, percorre-se o caminhar da própria vida, marcada por luzes e sombras, risos e lágrimas, mas acima de tudo, pela graça de Deus, que acompanha aqueles que creem e que buscam formas de fazer prevalecer o direito e a justiça no que realizam. Mesmo à custa de perseguições, ataques e especulações, o que se deseja é que a verdade se mostre e que os erros de assédio, desvios e não transparência sejam corrigidos e julgados segundo as leis humanas e divinas. As chagas não podem ser maiores que o cuidado para com o corpo de Cristo, que é a Igreja. (cf. I Cor 12, 12-27)

Pecados e desvios na Igreja não significam uma Igreja que vive no erro. São mais de dois milênios de anúncio e denúncia, de muito amor e caridade no mundo de várias maneiras. Onde estão as luzes diante da mostra de apenas trevas? Até parece que todos cometem as mesmas fraquezas. O testemunho dos santos e santas sempre foi um farol que iluminou e ilumina o caminhar da Igreja na penumbra da fé, pois não deixaram de crer na força do bem.

Conversão se torna uma consequência de aderir à proposta de Jesus, que trouxe alegria aos corações e lhes recuperou a dignidade quando parecia inatingível (cf. Mc 9, 14-29; Mc 9, 30-37), possibilitando mudança de pensamentos e atitudes para que as relações fiquem mais humanas, tolerantes e solidárias. Onde há o erro pode haver também a benevolência que faz pagar pelo que se cometeu, para não comprometer o depósito da fé e para que se veja brilhar a boa conduta dos que não estão envolvidos.

Que a Quaresma faça ressurgir das cinzas a alegre esperança de se continuar a testemunhar a alegria do Evangelho. A conversão é sempre o instrumento para novos horizontes dentro e fora da Igreja. Que, ao se apontarem os espinhos, se constatem também as flores do caminho, que muito perfumam e não fazem sangrar…

(artigo originalmente publicado no jornal Correio Popular em 12 de março de 2019)


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