A Padroeira

Nossa Senhora da Conceição

Padroeira: Nossa Senhora da Conceição

Pode-se considerar que a escolha de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira da Diocese de Campinas aconteceu automaticamente. A cidade de Campinas surgiu da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas, com a vinda de imigrantes portugueses que trouxeram essa devoção para a região.

Era grande em Portugal a devoção à Virgem Nossa Senhora da Conceição, tanto que em 25 de março 1646, o Rei Dom João IV a tomava por Padroeira do Reino de Portugal. Ordenou, também, que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

O surgimento de Campinas é anterior a 15 de setembro de 1772, data em que o Cônego Antônio de Toledo Lara, então responsável pelo expediente da diocese de São Paulo, pede informações ao vigário de Jundiaí, Padre Inácio Pais de Oliveira, sobre o pedido de construção de uma Capela nessa paragem.

Em 22 de setembro de 1773 foi dado o auto de “vistoria e demarcação” pelo então Vigário de Jundiaí para a construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição. A primeira Missa foi celebrada no dia 14 de julho de 1774, por Frei Antônio de Pádua, Vigário interino da nova Paróquia, sendo esta considerada a data oficial da fundação de Campinas.

A primeira capela, que deveria servir provisoriamente como igreja matriz, foi edificada no local onde se encontra atualmente o monumento-túmulo de Carlos Gomes (Praça Antônio Pompeu, denominação atual). Essa capelinha era estreita e baixa e, segundo a tradição, coberta de sapé, tendo servido de sede da paróquia até o ano de 1781.

No dia 25 de julho de 1781 foi inaugurada a nova Matriz, onde é hoje a Basílica Nossa Senhora do Carmo, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição das Campinas. No dia 26 se transladou a imagem da Padroeira da primeira capela para esta Igreja nova.

Em 18 de abril de 1870 o ato do presidente da Província, Dr. Antônio Cândido da Rocha, dividiu em duas paróquias a única de Nossa Senhora da Conceição de Campinas. A paróquia do lado do Norte foi denominada de Paróquia de Santa Cruz de Campinas e teve por sede a Matriz Velha; a do Sul foi denominada Nossa Senhora da Conceição de Campinas e teve por sede a nova matriz, sendo que, por não estar concluída, serviu por Matriz a Igreja do Rosário.

A Matriz Nova de Nossa Senhora da Conceição foi inaugurada no dia 08 de dezembro de 1883, após 76 anos do seu início. Com a criação da Diocese de Campinas, em 07 de junho de 1908, a Matriz Nossa Senhora da Conceição foi elevada ao título de Catedral.

Imaculada Conceição de Maria

Altar da Padroeira na Catedral Metropolitana

O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro nós e que não renunciamos nunca.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, foi definida em 1854 pelo Papa Pio IX, através da bula “Ineffabilis Deus”, mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.

A festa não existia oficialmente no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia, chamado Beato João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria, como início do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570 foi confirmada e formalizada pelo Papa Pio V, na publicação do novo ofício e, finalmente, no século XVIII, o Papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus misericordioso. Foi Deus que concedeu a Ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina permanecesse incontaminada.

Maria então foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.