Dom Antônio Maria Alves de Siqueira †

Dom Antônio Maria Alves de Siqueira †
Bispo Auxiliar de São Paulo, SP
Arcebispo Coadjutor de São Paulo, SP
4º Bispo e 2º Arcebispo Metropolitano de Campinas - 1968 a 1982


Ordenação Episcopal : 19/07/1957
Data de Nascimento: 14/11/1906
Ordenação Presbiteral: 15/08/1930

Nasceu no subdistrito de Santa Cecília, na cidade de São Paulo, em 14 de novembro de 1906, filho de Antônio Alves de Siqueira e de Luiza Alves de Siqueira.

Em 1918 matriculou-se no Seminário Menor de Pirapora, SP. Entre 1924 e 1930 cursou Filosofia e Teologia em São Paulo. Recebeu o sacerdócio das mãos de Dom Duarte Leopoldo, em 15 de agosto de 1930. Durante 17 anos lecionou no Seminário Central do Ipiranga, do qual foi diretor espiritual, vice-reitor e reitor. Foi Presidente da Comissão de Música Sacra e Diretor da liga das Senhoras Católicas de 1931 a 1947. Dom José Gaspar o nomeou membro do Cabido Metropolitano e confiou-lhe a parte musical e artística do Congresso Eucarístico de 1942.

No dia 20 de julho de 1947 foi sagrado Bispo Auxiliar de São Paulo e no dia 19 de julho de 1957 foi designado Arcebispo titular de Calcídia, na Síria, e Arcebispo Coadjutor da mesma Arquidiocese. Seu lema Episcopal, In fide et lenitate – Na Fé e na Mansidão, foi expressão de toda a sua vida.

Dom Antonio sempre se destacou como orador especializado na pregação de retiros e escritor de várias obras: “Gólgotha” (1946); “Filosofia da Educação” (1948); “Nossa Senhora Aparecida” (1956); “Consolando os que sofrem” (1959); “Itinerário” (1959); “A serviço da Rainha” (1961); “Livro de Maria” (1963) e “Crux Fidelis” (1980). Teve, ainda, uma coluna diária no Correio Paulistano, em 1957.

Em 1966 foi nomeado Arcebispo Coadjutor com direto a sucessão a Arquidiocese de Campinas. Por ocasião de sua nomeação, Dom Antônio exercia o cargo de Vigário Episcopal de Jundiaí, com a incumbência de preparar a cidade para sede de uma nova Diocese.

Seguindo as orientações do Concílio Vaticano II e a abertura pastoral iniciada por Dom Paulo, Dom Antonio deu grande apoio à Cúria, ao Conselho de Presbíteros e ao Secretariado Pastoral, iniciando uma nova fase na vida da Igreja: maior participação nos organismos da Igreja e governo colegiado. Assim, valorizou e ampliou os poderes do Coordenador de Pastoral e dos Vigários Regionais, incentivando as coordenações por Vigararia. Valorizou, também, o trabalho dos leigos, formando o Conselho Arquidiocesano de Pastoral, fomentando a formação dos Conselhos de Pastoral Paroquial e organizando o Ministério dos Ministros Extraordinários da Eucaristia. Iniciou a Revisão Pré-Sinodal, através de uma ampla pesquisa, levando a uma consciência maior de planejamento a partir dos anseios da base. Apoiou a organização de Cursos de Teologia para Leigos e a formação do Instituto de Pastoral.

Com a renúncia de Dom Paulo de Tarso Campos, assumiu a Arquidiocese de Campinas em 19 de setembro de 1968, tornado-se o 4º Bispo de Campinas e 2º Arcebispo Metropolitano.

Dom Antônio enfrentou, na Arquidiocese, o problema da crise das vocações que atingia todo o país, tendo ordenado apenas 16 presbíteros. Acompanhou as reflexões da CNBB em sua 10ª Assembléia Geral, trazendo como fonte de estudos o “Documento dos Presbíteros”.

Teve interesse especial pela comunicação, apoiando a formação da Equipe de Opinião Pública, a criação do Boletim “Encontro”, em 1968, a reformulação de “A Tribuna”, em 1969, e a divulgação do Boletim “Arquidiocese Informa”, 1976. Aprovou e incentivou os Cursos de Treinamento de Liderança Cristã para jovens, iniciado pelo Padre Haroldo Rahm. Nas modificações realizadas no prédio do Seminário (hoje Universidade São Francisco) reservou uma parte para o Movimento “Cursilhos de Cristandade”, a “Casa de Encontros da Arquidiocese”. Trabalhou para a conclusão do Templo Votivo, realizando o grande sonho de Dom Paulo de Tarso que pôde inaugurá-lo antes de sua morte.

Em razão da orientação pastoral, não foram criadas muitas paróquias na Arquidiocese. As Assembléias da Igreja de Campinas ofereceram elementos indispensáveis para um Planejamento Pastoral, a partir das carências e da escolha de prioridades. Na Assembléia de 1973, Dom Antônio Siqueira e Dom José Maritano, Bispo de Macapá, comprometeram-se a caminhar juntos, numa linha de colaboração e ajuda mútua, dentro do Projeto de Igrejas Irmãs, já em vigor em várias dioceses do Brasil, ou seja, fazer de nossa Arquidiocese uma Diocese-Irmã da Igreja de Macapá. Aprovou a criação da Paróquia Universitária, a Pastoral das Vilas Planejadas, os Centros Comunitários da periferia, a criação da Comissão de Justiça e Paz e do Conselho Arquidiocesano de Administração. Sua atuação foi ainda intensa como membro das seguintes Comissões da CNBB: Comissão Nacional para Educação Católica, Comissão Representativa, Comissão Episcopal para Traduções Litúrgicas, Comissão Nacional da Basílica de Aparecida e Membro da Ordem dos Cavaleiros de Malta. Aprovou o Diretório sobre o Ministério Sacerdotal com as exigências e condições para integrar-se ou incardinar-se ao Presbitério de Campinas.

No dia 07 de março de 1976, Dom Antônio deu posse a Dom Gilberto Pereira Lopes, que fora nomeado Arcebispo Coadjutor com direito à sucessão de Campinas em 24 de dezembro de 1975.

Juntamente com Dom Gilberto e os demais Bispos da Província, Dom Antônio criou o Instituto Teológico Paulo VI, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e o Seminário Provincial de Teologia para estudantes de toda a Província Eclesiástica.

No mês de agosto de 1978 confiou todo o trabalho pastoral e administrativo a Dom Gilberto, Arcebispo Coadjutor, reservando-se apenas uma presença mais assídua na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e assistência amiga aos presbíteros, conforme aprovação do Cardeal Sebastião Baggio, Prefeito da Congregação dos Bispos. Em novembro do mesmo ano, Dom Antônio deixou o Palácio Episcopal para morar em uma residência mais simples, no Bairro Nova Campinas, com sua irmã e familiares. Neste período continuou sua missão sacerdotal pregando retiros espirituais.

Com a morte repentina de seu sobrinho, em 1980, Dom Antônio preferiu morar na Casa São Rafael, do Lar dos Velhinhos de Campinas. Durante os anos em que lá morou, teve o acompanhamento da Irmã Maria Eugênia, da Congregação das Filhas de São José.

Em 1984, já com a doença de Alzheimer, passava mais tempo em Guarulhos, no Hospital Stella Maris, que ele próprio ajudou a fundar quando Auxiliar de São Paulo. Foi neste Hospital que Dom Antônio faleceu no dia 20 de abril de 1993, aos 86 anos. Seu sepultamento se deu no dia 21 de abril de 1993, na cripta da Catedral Metropolitana de Campinas, após a Missa Exequial presidida por Dom Gilberto Pereira Lopes.