Monsenhor Roberto Landell de Moura †

Monsenhor Roberto Landell de Moura †
Inventor do Rádio, Telefonia sem fio, Telégrafo sem fio e o Transmissor de ondas
Patrono das Telecomunicações e Radioamadores
Falecido em 30/07/1928


Data de Nascimento: 21/01/1861

Figura excepcional do clero brasileiro, cientista, um homem genial que viveu em Campinas e aqui sofreu muito, nos últimos anos do século passado. Não podemos fazer sua autêntica biografia que poderá se encontrar no Livro “O incrível Padre Landell de Moura”, da Editora Globo, cujo autor é Ernani Fornari. Nasceu no dia 21 de janeiro de 1861, na cidade de Porto Alegre, RS; batizado a 19 de fevereiro de 1861 na Igreja do Rosário, de cuja freguesia, anos mais tarde, até o falecer, haveria de ser Vigário. Era o quatro filho de 12 irmãos, sendo seus pais, José Inácio Ferreira de Moura e Iara Maria Landell de Moura. Estudou no Colégio dos Padres Jesuítas, em São Leopoldo, indo em seguida para a Côrte, onde se matriculou na Escola Politécnica. Com a passagem de seu irmão Guilherme pelo Rio, quando se dirigia para seguir a carreira eclesiástica em Roma, decidiu acompanhá-lo. Ambos ingressam no Colégio Pio Latino Americano, freqüentando a Universidade Gregoriana, dos Jesuítas. Ali principiou a conceber suas primeiras idéias em torno de sua teoria sobre “Unidade das Forças Físicas e a Harmonia do Universo”, base de suas invenções.

Foi ordenado sacerdote a 28 de novembro de 1886. De volta ao Brasil, conheceu Dom Pedro I, grande amigo dos cientistas, foi lente de História Universal no Rio Grande do Sul e Capelão. Em 1891, Vigário Paroquial em Uruguaiana, RS. Depois de ter sido Vigário em Santos e Sant’Ana, São Paulo, veio para Campinas, onde foi Pároco na antiga Matriz de Santa Cruz, de outubro de 1894 a dezembro de 1896. Substituiu o Cônego Scipião, já bastante idoso. Foi aqui que ele inventou um aparelho que poderia falar com outra pessoa colocada a quilômetros de distância, sem ser necessário fio algum. Fez algumas experiências em São Paulo, do alto da Av. Paulista ao alto de Sant’Ana. Esta experiência foi um ano antes de Guilherme Marconi, na Itália (1895), ter descoberto as ondas hertzianas. Deu a seus inventos nomes esquisitos como: telefônio, telauxifônio, caleofôno, edifôno. Em São Paulo, foi expulso por Dom Duarte Leopoldo e Silva. Em Campinas, devido ao espírito supersticioso e rotineiro da época, que o considerava impostor, mistificador, bruxo, ter parte com o demônio, por causa da notícia do evento na capital, arrombaram a porta de seu pequeno laboratório e quebraram os aparelhos. Não encontrando possibilidade de obter patente da telefonia sem fio aqui no Brasil, em junho de 1900 quis, desiludido, doar seus inventos para o Governo Britânico. Não o conseguindo, em meados de 1901, sem auxílio de ninguém, partiu para os Estados Unidos, indo residir em Nova Yorque, que, na época, era a Meca dos inventores. Ali viveu pelo espaço de três anos, onde pode desenvolver seus principais inventos: a Telefonia sem fio, o Telégrafo sem fio e o Transmissor de ondas; que foram ali patenteados e explorados. Em princípios de 1905, retorna ao Brasil, pensando ficar apenas três meses, e voltar novamente aos Estados Unidos, para maiores estudos. Nesses dias de Brasil, solicitou do Presidente da República, Dr. Rodrigues Alves, a cessão de dois navios de guerra para demonstração de seus inventos, o que lhe foi negado, sendo taxado de “maluco”. Num ímpeto de irritação, destruiu seus aparelhos, encaixotou seus livros, cadernos e documentos e resolveu voltar a exercer simplesmente seu sacerdócio. Foi para Botucatu, SP, e depois Mogi das Cruzes, voltando mais tarde para o Rio Grande do Sul, para a Igreja do Rosário em Porto Alegre. A 17 de setembro de 1927 foi elevado ao Monsenhorato e Arcediago do Cabido Metropolitano, vindo a falecer no dia 30 de julho de 1928, em Porto Alegre. Hoje ele é um dos Patronos das Telecomunicações. Em Campinas, a Telebrás escolheu o Padre Landell como patrono de seu avançado Centro de Pesquisas, muito embora o órgão seja mais conhecido como CPqD. Ele também é patrono dos radioamadores brasileiros; possui um busto em São Paulo e é nome de ruas em diversas cidades brasileiras.